CORES DO OUTONO
- O Longevolo

- 20 de abr.
- 2 min de leitura
“Hora sagrada dum entardecer
De Outono, à beira-mar, cor de safi ra,
Soa no ar uma invisível lira ...
O sol é um doente a enlanguescer ...”
Do soneto “As Minhas Ilusões”
de Florbela Espanca.
Do alto, bem alto de árvores frondosas
Folhas mil caem devagarinho
Balançam e dançam até chegar ao chão
Ao sabor de um ventinho morno
Que de repente começou a soprar
As tarde já não são calorentas
Com sol e ares escaldantes
Dias amarelados, dias encardidos
O azul foi ofuscado, escondido
Nuvens difusas cobrem o céu
O seu algodão foi desfi ado, espalhado
O gramado verde fi cou dourado
Sem brilho fi cou fosco
Como aquarela feita com tinta amarela
A calçada de pedras cinzentas
Coberta que está, mudou de cor
Com muitos tons de marrom, de vermelho
O mato atrás de casa, fechado que era
Ficou transparente com troncos à mostra
O bairro, as ruas, as casas
Estão algo distintas
Uma leve mudança ocorreu
A natureza segue seu curso
O verão foi seguindo
Ainda se vê pequenino
Dobrando a curva do tempo
Os dias são iguais, as noites são iguais
Mas nos sentimos distintos
Com vontade de um cafezinho quente
Um vinho tinto em taça de cristal
Com um casaquinho leve, de cor escura
Bermudas não são mais convenientes
A chuva que cai molha muito mais
Não é mais fresquinha: é fria mesmo
Março se despediu. Abril está em curso
A terra continua seu passeio
Mas o sol está cada dia mais longe
E a gente dá boas-vindas
A quem chegou de mansinho
Não avisou ninguém, nem fez alarde
Apenas um dia marcado de vermelho
Nos calendários das paredes
Ontem era verão. Agora é OUTONO.




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