Você se lembra das estações do ano?
- O Longevolo

- 19 de jun.
- 2 min de leitura
Havia um tempo em que a natureza nos avisava. A Primavera chegava anunciada pelas flores e pelo cheiro de terra molhada. O Verão trazia calor previsível, tardes longas e céus generosamente azuis. O Outono pintava as árvores de dourado e avisava, com gentileza, que o frio vinha chegando. E o Inverno esfriava do jeito certo, fazendo a gente valorizar o agasalho, o chá, o aconchego.
As estações do ano sempre foram muito mais do que clima. Eram ciclos de vida. Eram a natureza nos ensinando, com sabedoria milenar, que tudo tem seu tempo, que a mudança faz parte, que após o inverno sempre vem a primavera, que a vida se renova quando respeitamos seus ritmos. Mas fomos esquecendo.
Hoje, o El Niño chega como um grito. Estudiosos ecoam esse grito para o mundo inteiro. As estações perderam seus contornos. O Verão queima quando deveria aquecer. A chuva destrói quando deveria nutrir. O frio some quando deveria chegar. A Primavera floresce fora de hora, confusa, como nós.
O aquecimento global não é uma teoria distante nem um debate reservado a cientistas. É o aumento gradativo da temperatura média do planeta, que já sentimos aqui mesmo, na nossa cidade, em cada onda de calor fora de época, em cada chuva que surpreende, em cada seca que resseca também a nossa esperança. E a crise climática não atinge a todos da mesma forma. Ela chega primeiro - e com mais força - nos mais pobres, nos mais vulneráveis, nos que menos contribuíram para o problema. Ignorar isso não é apenas descuido. É injustiça.
É tentador achar que o problema é grande demais para nós. Que é coisa de governo, de multinacional, de cúpula internacional. Mas a ciência nos lembra, cada escolha individual, o que consumimos, o que descartamos, o que ignoramos, puxa um fio de uma grande teia. E quando um fio se rompe, toda a teia treme. Porque na natureza, tudo está interligado.
Precisamos aprender sobre sustentabilidade. Uma palavra que muitos ainda associam a modismo ou a discurso político. Mas que significa, em sua essência, algo muito simples e muito profundo - respeito, responsabilidade e gratidão, com a Terra que habitamos, com as outras formas de vida com quem a compartilhamos, com as gerações que ainda vão chegar.
Aguardamos, com boas expectativas, o evento 'Veranópolis Recicla', com sua Gincana Sustentável. Entretanto, não pode ter data para finalizar. É tarefa diária de cada indivíduo, de cada família e da comunidade. Cada escolha é individual. A indiferença também é uma escolha. E ela tem um preço que pagaremos ou que nossos filhos pagarão por nós.
Você se lembra das estações do ano? Elas ainda podem voltar. Mas dependem de nós. A hora de acordar é agora, não nos resta mais tempo. Que tenhamos muitos e belos bosques de contemplação ecológica para frequentarmos e usufruir as belezas e as coisas boas da vida.
* Liane Lazzarotto Simioni



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